Legend, Trilogia Legend - Marie Lu

Autor: marie lu

Tradução: Ebréia De Castro Alves
Preço: R$ 29,50
256 páginas 
Sinopse: "Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, os dois não têm motivos para se cruzarem, até que o irmão de June é assassinado e Day se torna o principal suspeito.
Presos num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos, numa trama de forte conteúdo político e repleta de ação, reviravoltas e romance."

E lá vou eu mais uma vez, ladeira abaixo até o poço de Young Adults distópicos onde eu sempre acabo me encontrando, mesmo quando eu estou tentando fugir. Depois de Cinder eu jurei que iria ler algo diferente, nem que fosse um livro do Nicholas Sparks, mas (desnecessário dizer) eu falhei miseravelmente. 
Legend é o terceiro livro da autora Marie Lu que eu leio. Dela eu já conhecia a trilogia The Young Elites, que é pra lá de boa e que eu vou escrever uma resenha eventualmente aqui no blog. A escrita dela é uma delícia, o universo ridiculamente criativo e ela tem uma das personagens mais interessantes que eu já vi em YA's, a Adelina. Não demorou muito para a autora me ter em suas mãos, então assim que eu terminei os livros disponíveis de The Young Elites (são apenas dois, o terceiro ainda não tem previsão de lançamento aqui no Brasil) eu juntei o troco do pão e comprei a trilogia Legend.



Eu li a trilogia sem pressa, tomando meu tempo para aproveitar o universo e entender os personagens. O governo ditatorial é praticamente obrigatório nesses romances, e logo estava presente em peso nesse livro, talvez ainda de forma mais violenta do que em outros. Todos os cidadãos são empurrados a terem um sentimento de nacionalismo que beira o medo, e a morrem de terror da polícia, dos militares, do governo, de tudo. Em Jogos Vorazes e Divergente os cidadãos tem certo nível de liberdade (ainda que bem pequeno), em Legend os moradores dos setores pobres (que constituem 95% da cidade) não têm nenhum. Desde os primeiros capítulos a autora já pintou o governo com clareza: uma ditadura militar violenta que tentar forçar um sentimento patriota na sociedade, que mente e que mata. Isso foi realmente importante para entender em que tipo de mundo Day e June estavam vivendo e para poder se relacionar com eles.
Infelizmente meu relacionamento com eles para mais ou menos por ai. 
June e Day só no love

Eu vou deixar bem claro aqui, antes que os fãs de Legend venham me atacar, que eu gostei sim do livro. Mas isso não me impede de achar alguns defeitinhos. A gente pode sim apreciar alguma coisa e ainda ser crítica. Então, NÃO MANAS, eu não sou haterzona do livro. Só quero reclamar de umas coisinhas porque eu sou reclamona.
O meu grande problema (e na verdade, o único) com esse livro foi os dois protagonistas e a falta de profundidade e realidade neles. Vamos começar com o fato de que eles são exatamente iguais. Eles pensam da mesma forma, agem e reagem da mesma forma, até o jeito de narrar deles é parecido. Eu não sei se isso foi realmente intencional, como uma forma de mostrar que eles são alma gêmeas ou algo parecido, mas simplesmente pareceu que a autora estava com preguiça de criar dois personagens e duas personalidades diferentes, mas complementares.
A autora deixa bem claro desde o começo que ambos June e Day são prodígios, logo suas mentes são capazes de coisas incríveis. Mas eu não acho que essa capacidade se estenda para seus corpos, então as coisas que Day (que tem um joelho machucado, btw) faz para mim ficam extremamente deslocadas e beiram ao ridículo. June, eu até entendo, pois ela sempre foi treinada para ser uma super soldado. Mas Day não tem treinamento algum, além das coisas que ele aprendeu nas ruas. Como ele consegue então deixar tantos militares altamente treinados bobos? Com o poder da mente?
Eu queria que os protagonistas cometessem mais erros, tomassem mais decisões ruins. Eu queria saber mais coisas sobre eles, para que eu realmente pudesse ter me apegado a eles em um nível emocional. Eles são perfeitos demais e eu não curto muito isso. Eu quero características reais, eu quero adolescentes instáveis e personalidades com as quais eu consiga me relacionar.
Ah, e eu quero química. Porque Day e June estão realmente precisando de uma faísca a mais.
Tirando isso, o livro foi bom sim! Eu curti a história e fiquei curiosa para saber o que vai acontecer, qual as verdadeiras intenções da República, conhecer os Patriotas e as Colônias. Acho que o meu problema era que eu tinha criado expectativas tão altas em relação aos personagens, uma vez que Marie Lu tinha me surpreendido tanto com The Young Elites, e ela não conseguiu atender a essas expectativas. Eu não a culpo, na verdade. Poucos personagens me chamam a atenção como Adelina me chamou.
Mas quem sabe nos próximos livros eu não reganhe a minha fé nos protagonistas e acabo mudando minha ideia sobre eles? Talvez Legend tenha sido apenas um aquecimento para um trilogia distópica que vai botar todos as outras no chinelo.
E com esse pensamento positivo eu vou partir, porque Prodigy está me chamando. Me desejem sorte!

Um comentário:

  1. Quanto aos erros, o que não teve em Legend, teve em Prodigy. O livro é cagada atrás de cagada, ora do Day, ora da June.

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