Jovens de Elite (The Young Elites) - Marie Lu


Autor: Marie Lu
Editora: Rocco
Preço: R$27,90
304 páginas.
Sinopse: "Bestseller do The New York Times com excelente repercussão entre público e crítica, Jovens de Elite é o primeiro de uma série de fantasia ambientada na era medieval e protagonizada por jovens que desenvolvem estranhas cicatrizes e poderes especiais ao sobreviverem a uma febre que dizimou boa parte da humanidade. Entre eles está Adelina, que, após se rebelar contra o destino imposto a ela por seu pai, encontra um novo lar na sociedade secreta Jovens de Elite, vista por alguns como um grupo de heróis, por outros como seres com poderes demoníacos. Heroína ou vilã? Num mundo perigoso no qual magia e política se chocam, Adelina descobre o lado sombrio de seu coração. Da mesma autora da aclamada trilogia Legend, Marie Lu, Jovens de Elite é o início de uma saga arrebatadora. Perfeita para fãs de histórias de fantasia medieval como Game of Thrones, com vilões dignos de Star Wars e X-Men."

Um tempo atrás eu escrevi sobre a trilogia Legend (a qual eu ainda não terminei por pura preguiça) e disse que iria eventualmente escrever sobre a outra trilogia da maravilhosa Marie Lu, Jovens de Elite (em inglês The Young Elites), trilogia pela qual eu estava completamente apaixonada e tinha até um altar no cantinho do meu quarto. E agora que eu terminei o último livro e minhas cicatrizes emocionais ainda são recentes, eu decidi sair do meu hiato induzido pela preguiça (eu sou um ser humano horrível, santo Zeus) e escrever essa crítica - que pode conter spoilers!


A coisa que mais me chamou atenção foi a complexidade das personalidades, uma vez que eu já tinha reclamado sobre a falta de profundidade dos personagens de Legend. Mas em Jovens de Elite você encontra muitos tipos diferentes de pessoas e consegue ver o modo com que suas diferenças se relacionam, atacando-se entre si. Existem tantas linhas borradas quando se trata da personagem principal, Adelina, que se torna difícil coloca-la em uma caixinha e isso é fascinante. Ela sofreu a vida inteira com um pai e uma sociedade abusiva e isso deixou um sentimento amargo em seu coração. Ela não é uma heroína comum. E nada verdade, ela não é uma heroína de jeito nenhum.
Isso mesmo, a personagem principal é a vilã.
Mas aqui vai a verdadeira pergunta do livro: Adelina é realmente a vilã? Ou ela é apenas um produto de sua criação?
Eu gosto de livros YA com profundidade, livros que me fazem ler entre as linhas e questionar seus personagens e seu plot ao invés de apenas aceitá-los do jeito que eles parecem ser inicialmente. E enquanto se lê sobre Adelina, você pensa. Você passa o livro inteiro (na verdade, a trilogia inteira) procurando um modo de a perdoar ou procurando um qualidade que possa a redimir, mas depois você pensa que ela não precisa de redenção afinal ela não fez nada de errado. Depois você volta a aceitá-la como uma pessoa não tão boa, mas ao mesmo tempo mantendo em mente que ela foi transformada pela sociedade na pessoa que é. Mas ainda assim, quanto sofrimento justifica a quantidade de sangue em suas mãos? E ai você fica com dor de cabeça e decide parar de pensar, porque é muito difícil escolher em quem botar a culpar por quem Adelina se torna.


E apesar de toda sua glória e complexidade, Adelina não ofusca os outros personagens. Como Teren, por exemplo. que é um dos jovens com poderes estranhos que está decidido a matar outros jovens com poderes estranhos por os considerar impuros (Zeus, esse moço deve ter problemas com auto-estima). Ele, assim como Adelina e todo os outros que nasceram nessa sociedade odiosa, foi criado para acreditar fielmente nisso. Eles são os dois lados da moeda: ela questiona o preconceito com que convive, ele o aceita como uma verdade universal. Enquanto alguns autores iriam usar suas diferenças para desenvolver um relacionamento apenas pela improbabilidade e o elemento surpresa, Marie os deixou assim - almas similares que se antagonizam - evitando um casal problemático (ufa!). Além de Teren e Adelina existem ainda outros personagens com visões e ambições diferentes, com seu próprio passado e problemas íntimos, mas eu não vou apresentar todos porque senão perde a graça.


Quando se trata de romance, a coisa toda é muito sutil. São pequenas coisas aqui ali, mas não são o foco principal do livro. O livro trata de uma questão mais social, então ao invés de usar romance como o combustível por trás das ações dos personagens, ela explora emoções mais sombrias: rancor, desejo de vingança, ambição e ódio, trazendo um tom melancólico a narrativa. 

Adelina serving some Young Elite realness

Com uma crítica social profunda e um relacionamento confuso entre antagonista e protagonista, Jovens de Elite é um livro que conquistou o público mais dark dos Young Adults com sua escrita cheia de alegorias e metáforas e seus personagens diversificados (aliás ponto para Marie Lu pela representatividade no livro, que contém personagens de diferentes etnias, personagens LGBTQ e personagens com deficiências). Seu último livro The Midnight Star (que eu aliás já li e me destruiu completamente) não tem previsão de lançamento no Brasil, então dá tempo de todo mundo ler os dois primeiros e vir me contar o que achou e quem sabe até sofrer comigo.
Estou no aguardo!






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